Ou seja, há 19 anos que para aqui ando!
Embora devesse sentir-me diferente, não sinto... Quer dizer estou bastante mais feliz do que o normal e não me preocupei com uma única coisa a não ser manter-me feliz!
Que post tão estúpido... Provavelmente, o mais estúpido que coloquei aqui.
Oh well!
There's no room for a pure heart in a system that views true corruption as a pure art.
domingo, 4 de dezembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
VER-TE DESAPARECER
O inevitável aconteceu.
Após tanto tempo, a sorte tinha que acabar.
Os dois deitados no asfalto frio e molhado. O ar de noite fica tão gelado que o vapor condensa no instante que expiramos.
Eu sei que estou bem. Quer dizer... Quando se pode estar bem, após um ataque de um drogado a alucinar e a ameaçar-nos com uma faca: uns cortes aqui e ali, nada de preocupante.
Também sei que ele não está bem. Se bem que tenho a sensação de esta descrição fica muito aquém do estado dele. Basta mexer a minha mão na direcção dele e apercebo-me que há um líquido quente junto dele e se esforçar a vista com a pouca luz que consigo ter da lua, e de algumas luzes ao fundo da rua, esse líquido é vermelho. Não preciso de fazer isto, mas sei-o. Ainda assim, ele continua a respirar ritmicamente, como se nada se passasse.
"Que noite!" A voz rouca dele é a primeira a fazer-se ouvir desde o ataque. Eu ainda não encontrei a minha. "E eu a pensar que isto só acontecia nas séries que me obrigas a ver." E ri-se. Ao mesmo tempo, algo no meu peito contrai-se até doer. Algo que não consigo explicar.
Ainda nem sequer o olhei nos olhos e ele está ali a (tentar) fazer piadas. "O que achas?"
O que acho? Acho que algo de muito errado se está a passar dentro da tua cabeça. "Acho que o INEM não percebe o significado da palavra emergência."
"Porque estás tão chateada?" Sinto a mão dele ainda quente a apertar um pouco a minha. "Nem parece teu."
Com cuidado viro a cabeça de maneira a estarmos cara-a-cara. "A sério? E o que é que parece meu?"
"Gozar com a situação." Ri-se mais um bocado, mas o esforço fá-lo tossir forçando mais algum sangue a sair da ferida que lhe atravessa quase metade do abdómen. "Usares e abusares do sarcasmo, deixando todos... Sem palavras. Sem saber o que fazer."
"Não tenho muita vontade disso, agora." O nó que sinto na garganta parece piorar a cada segundo. "Ainda estás a fazer pressão?"
"Não tenho muito mais que fazer." Com a mudança de tema para ele, já não tem tanta vontade de se rir. "Mas, não me parece que vá fazer muita dife-"
"É que nem te atrevas a acabar essa frase!" Gritei e arrependendo-me logo de seguida, mal senti as náuseas a voltarem.
Aparentemente, ele aproveitou-se disso para voltar a falar de mim. "Bateste com a cabeça com demasiada força, não devias fazer esforços. Muito menos para gritar comigo."
"Sim, Sr. doutor." Disse sem pensar muito, nisso. A única coisa a ocupar o meu pensamento era mantê-lo a falar comigo. Só não sabia quanto tempo ainda conseguia... A mão dele está demasiado fria.
Ele suspira e, pela primeira vez, oiço a falha de ritmo na respiração que ele tem tentado controlar. "Estou a entrar em choque..." É verdade. Está a tremer muito. "Acho que já nã-"
Fecho os olhos numa tentativa de ignorar o que ele me quer dizer. "Não comeces outra vez."
Eu tento ignorá-lo e ele ignora-me. "Já não aguento muito mais." Os olhos dele humedecidos seguem os meus. Está tão fixado que tenho medo que consiga ler todos os meus pensamentos. "Desculpa."
Não tenho força para afastar o meu olhar do dele. "Porquê? Não me lembro de nada de mal que tenhas feito. Salvaste-me a vida... Pondo a tua em risco." Continuei a fingir-me desentendida sobre o que sabia estar por detrás da desculpa dele: Desculpa, ter salvo a tua vida com a minha.
Ele sabe que eu sei o que ele queria dizer, mas deixa passar. "Não te quero deixar sozinha."
Respondi prontamente, com o argumento mais estúpido que alguma vez saiu da minha boca, não ligando ao que racionalmente sabia. "Há uma solução para isso: continua a aguentar-te até a ambulância chegar."
E sou, mais uma vez, ignorada. "Aprende a confiar nos outros... Nunca se sabe quem te poderá surpreender. Tu surpreendeste-me!"
Isso confundiu-me. "Achas que não era de confiança?"
"Não sabia. A maneira como ages deixa as pessoas desconfiadas, tal como tu não confias nelas."
"Eu confio em ti."
"Porquê?"
"Porque és uma pessoa fácil de confiar, sei lá... Falaste honestamente comigo e deste-me uma oportunidade para confiar." Foi a minha vez de lhe apertar gentilmente a mão, agora tão fria como o chão em que estávamos deitados. "Não me deixes assim."
"Não preciso de deixar. Desde que te lembres de mim, estarei sempre contigo."
"De onde foste tirar isso?" Tens mesmo de me fazer sentir que tudo aquilo que sou vai desaparecer contigo. "Sabes que não acredito em nada dessas coisas religiosas. Se me lembrar de ti, as únicas coisas que terei de ti são memórias. Nunca tu."
"Tu não acreditas, mas eu acredito. Acredito que estarei ao teu lado de alguma maneira... Podes não me ver, ou se calhar vês-me como uma árvore, um esquilo, sei lá..."
"Um grão de pó."
Ele fingiu-se ofendido. "Ouch! Estava a tentar ser poético e sentimental."
"E a falhares." Eu já pouco me importava com o que dizia... Já não queria saber de como me faria parecer. Ele nunca se importou com isso, agora também não se importaria. "Estava a seguir a tua lógica cristã. Do pó viestes e ao pó voltarás. Se... Não aguentares, serás um grão de pó."
"Ok. Tens razão, como sempre..." Ficou em silêncio durante algum tempo. A única indicação de que ainda estava vivo era o vapor a sair da boca numa respiração, desde há muito, irregular. "Chegou a hora."
"Não." Antes de ele protestar eu continuei. "Eu percebo. Queres-te despedir. Mas, por favor, não o digas. Se o disseres em voz alta... Eu, eu não sei!" A dor que sentia no peito piorava cada vez mais. E o não saber deixava-me desorientada.
Numa voz muito sumida, ele tentou acalmar-me. "Então, o que preferes fazer?"
"Fingir."
"Fingir?" Quase que lhe sentia o sorriso na voz.
"Fingir." Reafirmei. "Fingir que nada disto se passou. Fazer planos para o futuro."
"Que tal o normal?" As palavras eram ditas carinhosamente. "Tu sugeres as coisas mais malucas que te surgem na cabeça e eu sou arrastado para as situações mais vergonhosas da minha vida."
"O normal soa-me muito bem." Consenti. E assim, comecei a falar de coisas que nem para mim faziam sentido (o que já era dizer muito)... Apenas ideias que surgiam sem ligação. Ele assentia ao meu lado, murmurando ou apenas fazendo um som «hum hum» concordando com tudo. Os dois a olhar para o céu.
A certa altura apercebi-me que já só havia uma nuvem de vapor a formar-se. Não parei de falar idiotices atrás de idiotices, o único som audível na rua, sendo o da minha voz. O meu pior medo seria parar de falar e aperceber-me do silêncio aterrador à minha volta.
De mão dada com o corpo do meu melhor amigo. Enquanto falava, pus-me a pensar de onde chovia, se não havia nuvens no céu.
"Tens os olhos tão azuis como o céu, sabias?"
Resignei-me de que estava a chover do céu, porque explicava as gotas que tinha a escorrer pela cara. Não era a única explicação, mas era a que fazia mais sentido para mim, visto que não chorava desde há 15 anos.
"Não te preocupes com o que eles dizem... Só têm inveja de não serem como tu."
Estava sozinha. Não sabia quanto tempo passaria até voltar a conhecer alguém como ele. Como ele, não. Alguém que acreditasse em mim tal como ele o fez.
"Eu estarei sempre onde precisares."
"Preciso de ti agora." Há quanto tempo estava ali? Já conseguia ouvir as ambulâncias. Seria demasiado tarde para o salvarem? Era, de certeza. "Por favor! Olha para mim! Fala comigo!" A minha garganta estava inexplicavelmente dorida e fazia com que chovesse mais.
Vieram pessoas a correr para o sítio onde estavam. "A ajuda já chegou... Volta para mim!" Apertei com mais força a tua mão gélida. "Porque é que não estás aqui? Porque me deixaste sozinha?"
"Estarei sempre contigo."
Após tanto tempo, a sorte tinha que acabar.
Os dois deitados no asfalto frio e molhado. O ar de noite fica tão gelado que o vapor condensa no instante que expiramos.
Eu sei que estou bem. Quer dizer... Quando se pode estar bem, após um ataque de um drogado a alucinar e a ameaçar-nos com uma faca: uns cortes aqui e ali, nada de preocupante.
Também sei que ele não está bem. Se bem que tenho a sensação de esta descrição fica muito aquém do estado dele. Basta mexer a minha mão na direcção dele e apercebo-me que há um líquido quente junto dele e se esforçar a vista com a pouca luz que consigo ter da lua, e de algumas luzes ao fundo da rua, esse líquido é vermelho. Não preciso de fazer isto, mas sei-o. Ainda assim, ele continua a respirar ritmicamente, como se nada se passasse.
"Que noite!" A voz rouca dele é a primeira a fazer-se ouvir desde o ataque. Eu ainda não encontrei a minha. "E eu a pensar que isto só acontecia nas séries que me obrigas a ver." E ri-se. Ao mesmo tempo, algo no meu peito contrai-se até doer. Algo que não consigo explicar.
Ainda nem sequer o olhei nos olhos e ele está ali a (tentar) fazer piadas. "O que achas?"
O que acho? Acho que algo de muito errado se está a passar dentro da tua cabeça. "Acho que o INEM não percebe o significado da palavra emergência."
"Porque estás tão chateada?" Sinto a mão dele ainda quente a apertar um pouco a minha. "Nem parece teu."
Com cuidado viro a cabeça de maneira a estarmos cara-a-cara. "A sério? E o que é que parece meu?"
"Gozar com a situação." Ri-se mais um bocado, mas o esforço fá-lo tossir forçando mais algum sangue a sair da ferida que lhe atravessa quase metade do abdómen. "Usares e abusares do sarcasmo, deixando todos... Sem palavras. Sem saber o que fazer."
"Não tenho muita vontade disso, agora." O nó que sinto na garganta parece piorar a cada segundo. "Ainda estás a fazer pressão?"
"Não tenho muito mais que fazer." Com a mudança de tema para ele, já não tem tanta vontade de se rir. "Mas, não me parece que vá fazer muita dife-"
"É que nem te atrevas a acabar essa frase!" Gritei e arrependendo-me logo de seguida, mal senti as náuseas a voltarem.
Aparentemente, ele aproveitou-se disso para voltar a falar de mim. "Bateste com a cabeça com demasiada força, não devias fazer esforços. Muito menos para gritar comigo."
"Sim, Sr. doutor." Disse sem pensar muito, nisso. A única coisa a ocupar o meu pensamento era mantê-lo a falar comigo. Só não sabia quanto tempo ainda conseguia... A mão dele está demasiado fria.
Ele suspira e, pela primeira vez, oiço a falha de ritmo na respiração que ele tem tentado controlar. "Estou a entrar em choque..." É verdade. Está a tremer muito. "Acho que já nã-"
Fecho os olhos numa tentativa de ignorar o que ele me quer dizer. "Não comeces outra vez."
Eu tento ignorá-lo e ele ignora-me. "Já não aguento muito mais." Os olhos dele humedecidos seguem os meus. Está tão fixado que tenho medo que consiga ler todos os meus pensamentos. "Desculpa."
Não tenho força para afastar o meu olhar do dele. "Porquê? Não me lembro de nada de mal que tenhas feito. Salvaste-me a vida... Pondo a tua em risco." Continuei a fingir-me desentendida sobre o que sabia estar por detrás da desculpa dele: Desculpa, ter salvo a tua vida com a minha.
Ele sabe que eu sei o que ele queria dizer, mas deixa passar. "Não te quero deixar sozinha."
Respondi prontamente, com o argumento mais estúpido que alguma vez saiu da minha boca, não ligando ao que racionalmente sabia. "Há uma solução para isso: continua a aguentar-te até a ambulância chegar."
E sou, mais uma vez, ignorada. "Aprende a confiar nos outros... Nunca se sabe quem te poderá surpreender. Tu surpreendeste-me!"
Isso confundiu-me. "Achas que não era de confiança?"
"Não sabia. A maneira como ages deixa as pessoas desconfiadas, tal como tu não confias nelas."
"Eu confio em ti."
"Porquê?"
"Porque és uma pessoa fácil de confiar, sei lá... Falaste honestamente comigo e deste-me uma oportunidade para confiar." Foi a minha vez de lhe apertar gentilmente a mão, agora tão fria como o chão em que estávamos deitados. "Não me deixes assim."
"Não preciso de deixar. Desde que te lembres de mim, estarei sempre contigo."
"De onde foste tirar isso?" Tens mesmo de me fazer sentir que tudo aquilo que sou vai desaparecer contigo. "Sabes que não acredito em nada dessas coisas religiosas. Se me lembrar de ti, as únicas coisas que terei de ti são memórias. Nunca tu."
"Tu não acreditas, mas eu acredito. Acredito que estarei ao teu lado de alguma maneira... Podes não me ver, ou se calhar vês-me como uma árvore, um esquilo, sei lá..."
"Um grão de pó."
Ele fingiu-se ofendido. "Ouch! Estava a tentar ser poético e sentimental."
"E a falhares." Eu já pouco me importava com o que dizia... Já não queria saber de como me faria parecer. Ele nunca se importou com isso, agora também não se importaria. "Estava a seguir a tua lógica cristã. Do pó viestes e ao pó voltarás. Se... Não aguentares, serás um grão de pó."
"Ok. Tens razão, como sempre..." Ficou em silêncio durante algum tempo. A única indicação de que ainda estava vivo era o vapor a sair da boca numa respiração, desde há muito, irregular. "Chegou a hora."
"Não." Antes de ele protestar eu continuei. "Eu percebo. Queres-te despedir. Mas, por favor, não o digas. Se o disseres em voz alta... Eu, eu não sei!" A dor que sentia no peito piorava cada vez mais. E o não saber deixava-me desorientada.
Numa voz muito sumida, ele tentou acalmar-me. "Então, o que preferes fazer?"
"Fingir."
"Fingir?" Quase que lhe sentia o sorriso na voz.
"Fingir." Reafirmei. "Fingir que nada disto se passou. Fazer planos para o futuro."
"Que tal o normal?" As palavras eram ditas carinhosamente. "Tu sugeres as coisas mais malucas que te surgem na cabeça e eu sou arrastado para as situações mais vergonhosas da minha vida."
"O normal soa-me muito bem." Consenti. E assim, comecei a falar de coisas que nem para mim faziam sentido (o que já era dizer muito)... Apenas ideias que surgiam sem ligação. Ele assentia ao meu lado, murmurando ou apenas fazendo um som «hum hum» concordando com tudo. Os dois a olhar para o céu.
A certa altura apercebi-me que já só havia uma nuvem de vapor a formar-se. Não parei de falar idiotices atrás de idiotices, o único som audível na rua, sendo o da minha voz. O meu pior medo seria parar de falar e aperceber-me do silêncio aterrador à minha volta.
De mão dada com o corpo do meu melhor amigo. Enquanto falava, pus-me a pensar de onde chovia, se não havia nuvens no céu.
"Tens os olhos tão azuis como o céu, sabias?"
Resignei-me de que estava a chover do céu, porque explicava as gotas que tinha a escorrer pela cara. Não era a única explicação, mas era a que fazia mais sentido para mim, visto que não chorava desde há 15 anos.
"Não te preocupes com o que eles dizem... Só têm inveja de não serem como tu."
Estava sozinha. Não sabia quanto tempo passaria até voltar a conhecer alguém como ele. Como ele, não. Alguém que acreditasse em mim tal como ele o fez.
"Eu estarei sempre onde precisares."
"Preciso de ti agora." Há quanto tempo estava ali? Já conseguia ouvir as ambulâncias. Seria demasiado tarde para o salvarem? Era, de certeza. "Por favor! Olha para mim! Fala comigo!" A minha garganta estava inexplicavelmente dorida e fazia com que chovesse mais.
Vieram pessoas a correr para o sítio onde estavam. "A ajuda já chegou... Volta para mim!" Apertei com mais força a tua mão gélida. "Porque é que não estás aqui? Porque me deixaste sozinha?"
"Estarei sempre contigo."
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
REALLY?
Espero que 2012 chegue rápido. Não tenho muito mais a dizer...
Any of you fancy the new series "Sherlock" from BBC? I've re-watched the 1st season at least six times(yes, the unaired pilot included...) because of lack of more time and I never expected to actually find this:
No more words needed.
[edit]
Já agora: parabéns a todos que conseguiram resolver a última das Hidden Messages...
Sherlock, give us some credit... It's obvious isn't it?
[/edit]
Any of you fancy the new series "Sherlock" from BBC? I've re-watched the 1st season at least six times
No more words needed.
[edit]
Já agora: parabéns a todos que conseguiram resolver a última das Hidden Messages...
Sherlock, give us some credit... It's obvious isn't it?
[/edit]
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
THRILL
Está frio. Não, na verdade está um frio de gelar.
Não sinto nada no meu corpo para além de dores horríveis. Estou suado, encharcado, cheio de cortes na cara e o meu cérebro parece um disco riscado: "Corre. Não pares... Corre. Não pares".
Isto é mau... Muito mau.
Não há barulho nenhum para além das minhas botas a pisarem o chão molhado coberto de folhas, ramos e mais o que quer que seja que podemos encontrar numa floresta em pleno Inverno e a minha respiração ofegante. Está tudo muito silencioso e isso não me agrada nem um bocado.
Corro mais e mais rápido, mas todos os meus múculos me pedem para parar!
Pára!
Cheguei ao fim da linha. Uma clareira sem saída, a não ser que haja alguma aranha radioactiva para estes lados... O que não me parece provável.
Voltar atrás. Não! Outra saída, tem de haver outra saída.
Cada vez a floresta parece mais silenciosa. A adrenalina corre-me nas veias e parece que tudo se move demasiado devagar... Seria fantástico se fosse noutra situação.
Despacha-te! Ele vem atrás de ti.
O velho anda para trá e para a frente. Caçadeira na mão e indumentária a rigor para uma caçada. Outro homem mais novo está sentado a frente dele. Mãos e pés atados, boca mordaçada, olhar e postura inquetos, suor a acumular-se na testa: medo. O velho continua a falar calmamente e com uma paixão doentia sobre o assunto.
"Os humanos são muito mais interessantes... O grau de inteligência em comparação com outros animais é bastante superior. No entanto, quando caço, a maioria dos animais sobrevive à caçada muito mais tempo que os humanos. Humanos são muito mais divertidos de ver fugir e a falhar repetidamente: cada escolha é pior que a anterior. Consigo antecipar cada movimento vosso, como se fosse um mapa à minha frente."
Tirou a faca escondida na cintura e levou-a ao pescoço do homem e encostou-a com força suficiente para deitar algumas gotas de sangue.
"Corre." Continuou o caçador. "Não pares... Ou a caçada não valeria a pena."
Com um sorriso malévolo soltou-o e deixou-o afastar-se até o perder de vista.
A excitação era facilmente lida no perfil do caçador demente. "A época de caça, começou agora..."
Uma caverna.
Atrás de uns arbustos estava algo semelhante a uma caverna grande o suficiente para caber lá dentro ajoelhado ou de cócoras.
Entrei e andei o mais que pude, mas por alguma razão não fiaquei surpreendido quando me apercebi que não ia mais fundo do que me encontrava. Dez metros para dentro da rocha sólida.
Sentei-me e descansei pela primeira vez em dois dias. Sentia o coração a latejar-me nos ouvidos.
Ramos a partirem-se lá fora.
Chegou.
De certeza, o homem conhecia aquele esconderijo. De certeza, muitos tinham morrido ali antes dele e, infelizmente, outros iriam morrer ali depois dele.
Mais uma vez, os meus instintos tomam conta do meu corpo incitados pelo medo puro de toda a cena que se desenrola naquele momento... Tão irreal como um filme.
As folhas que ele tinha deixado em monte à frente da caverna são afastadas delicadamente, com calma... Ele também sabe que o fim está próximo.
A voz rouco do velho chama-o carinhosamente mas as suas palavras prometem o oposto.
O frenesim na minha mente impele-me para o fundo da caverna, como se miraculosamente ela desse origem a uma saída... De uma lado para o outro de costas contra a rocha irregular, arranhando-me as costas, mas cuja dor não parece existir no momento. O bafo de ar quente que se condensa tão rapidamente quanto sai dos meus lábios, cada vez a intervalos menores. O meu coração bate de maneira irregular a cada passo a que se aproxima.
Quando nos encontramos frente a frente, mal iluminados por uma frecha de luz detrás do perfil sinuoso do caçador, fazendo-o parecer mais perigoso que qualquer outro predador que pudesse aparecer ali. Essa frecha de luz reflectida nos meus olhos, uma presa tão impotente como o mais minúsculo dos insectos.
Ele empunha a caçadeira em direcção à minha testa: ia ser abatido como um animal para o matadouro.
Fui apanhado. É o fim.
Fechei os olhos, admitindo a derrota e rezando para que não doesse muito.
O clique do gatilho foi a última coisa que ouvi.
Não sinto nada no meu corpo para além de dores horríveis. Estou suado, encharcado, cheio de cortes na cara e o meu cérebro parece um disco riscado: "Corre. Não pares... Corre. Não pares".
Isto é mau... Muito mau.
Não há barulho nenhum para além das minhas botas a pisarem o chão molhado coberto de folhas, ramos e mais o que quer que seja que podemos encontrar numa floresta em pleno Inverno e a minha respiração ofegante. Está tudo muito silencioso e isso não me agrada nem um bocado.
Corro mais e mais rápido, mas todos os meus múculos me pedem para parar!
Pára!
Cheguei ao fim da linha. Uma clareira sem saída, a não ser que haja alguma aranha radioactiva para estes lados... O que não me parece provável.
Voltar atrás. Não! Outra saída, tem de haver outra saída.
Cada vez a floresta parece mais silenciosa. A adrenalina corre-me nas veias e parece que tudo se move demasiado devagar... Seria fantástico se fosse noutra situação.
Despacha-te! Ele vem atrás de ti.
~:~
"Os humanos são muito mais interessantes... O grau de inteligência em comparação com outros animais é bastante superior. No entanto, quando caço, a maioria dos animais sobrevive à caçada muito mais tempo que os humanos. Humanos são muito mais divertidos de ver fugir e a falhar repetidamente: cada escolha é pior que a anterior. Consigo antecipar cada movimento vosso, como se fosse um mapa à minha frente."
Tirou a faca escondida na cintura e levou-a ao pescoço do homem e encostou-a com força suficiente para deitar algumas gotas de sangue.
"Corre." Continuou o caçador. "Não pares... Ou a caçada não valeria a pena."
Com um sorriso malévolo soltou-o e deixou-o afastar-se até o perder de vista.
A excitação era facilmente lida no perfil do caçador demente. "A época de caça, começou agora..."
~:~
Uma caverna.
Atrás de uns arbustos estava algo semelhante a uma caverna grande o suficiente para caber lá dentro ajoelhado ou de cócoras.
Entrei e andei o mais que pude, mas por alguma razão não fiaquei surpreendido quando me apercebi que não ia mais fundo do que me encontrava. Dez metros para dentro da rocha sólida.
Sentei-me e descansei pela primeira vez em dois dias. Sentia o coração a latejar-me nos ouvidos.
Ramos a partirem-se lá fora.
Chegou.
De certeza, o homem conhecia aquele esconderijo. De certeza, muitos tinham morrido ali antes dele e, infelizmente, outros iriam morrer ali depois dele.
Mais uma vez, os meus instintos tomam conta do meu corpo incitados pelo medo puro de toda a cena que se desenrola naquele momento... Tão irreal como um filme.
As folhas que ele tinha deixado em monte à frente da caverna são afastadas delicadamente, com calma... Ele também sabe que o fim está próximo.
A voz rouco do velho chama-o carinhosamente mas as suas palavras prometem o oposto.
O frenesim na minha mente impele-me para o fundo da caverna, como se miraculosamente ela desse origem a uma saída... De uma lado para o outro de costas contra a rocha irregular, arranhando-me as costas, mas cuja dor não parece existir no momento. O bafo de ar quente que se condensa tão rapidamente quanto sai dos meus lábios, cada vez a intervalos menores. O meu coração bate de maneira irregular a cada passo a que se aproxima.
Quando nos encontramos frente a frente, mal iluminados por uma frecha de luz detrás do perfil sinuoso do caçador, fazendo-o parecer mais perigoso que qualquer outro predador que pudesse aparecer ali. Essa frecha de luz reflectida nos meus olhos, uma presa tão impotente como o mais minúsculo dos insectos.
Ele empunha a caçadeira em direcção à minha testa: ia ser abatido como um animal para o matadouro.
Fui apanhado. É o fim.
Fechei os olhos, admitindo a derrota e rezando para que não doesse muito.
O clique do gatilho foi a última coisa que ouvi.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
EVANESCENCE - WHAT YOU WANT
Uma música nova da minha banda preferida? Claro que faço um post disso!
Letra:
Letra:
Do what you what you want, if you have a dream for better
Do what you what you want till you don’t want it anymore
(remember who you really are)
Do what you what you want, your world’s closing in on you now
(it isn’t over)
Stand and face the unknown
(got to remember who you really are)
Every heart in my hands like a pale reflection
Hello, hello remember me?
I’m everything you can’t control
Somewhere beyond the pain there must be a way to believe we can break through
Do what you what you want, you don’t have to lay your life down
(it isn’t over)
Do what you what you want till you find what you’re looking for
(got to remember who you really are)
But every hour slipping by screams that I have failed you
Hello, hello remember me?
I’m everything you can’t control
Somewhere beyond the pain there must be a way to believe
Hello, hello remember me?
I’m everything you can’t control
Somewhere beyond the pain there must be a way to believe
There’s still time
Close your eyes
Only love will guide you home
Tear down the walls and free your soul
Till we crash we’re forever spiraling down, down, down, down
Hello, hello, it’s only me
Infecting everything you love
Somewhere beyond the pain there must be a way to believe
Hello, hello remember me?
I’m everything you can’t control
Somewhere beyond the pain there must be a way to learn forgiveness
Hello, hello remember me?
I’m everything you can’t control
Somewhere beyond the pain there must be a way to believe we can break through
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